Cruzamento industrial com reprodutor Dorper registrado proporciona bons resultados visando o melhoramento de carcaça dos cordeiros e precocidade

Criadores da região Sul do país compartilham suas experiências e resultados obtidos através deste tipo de cruza com ovelhas Santa Inês, raças lanadas e SRD (sem raça definida)

Visando a melhora na produção dos ovinos de corte, bem como a qualidade da proteína ofertada ao consumidor final, muitos criadores da região Sul do país têm apostado no cruzamento industrial utilizando reprodutor Dorper com registro genealógico. Basicamente, essa técnica consiste no acasalamento de raças diferentes, que permite, assim, aproveitar os efeitos da heterose, ou seja, as diferenças genéticas existentes entre raças buscando melhor desempenho das características desejáveis.

Pedro Rocha de Abreu Filho, titular da Cabanha Poncho Molhado (CPM), de Mandirituba/PR – que se dedica a criação e seleção da raça Dorper há 13 anos – conta que os reprodutores Dorper já provaram a sua eficiência reprodutiva na obtenção de indivíduos cruzados. Uma vez que os cordeiros nascidos a partir deste tipo de cruzamento, com ovelhas de diversas raças, tem apresentado aumento de tamanho, fertilidade (no caso das fêmeas) e vigor.

“Os reprodutores PO Dorper têm mostrado sua eficiência reprodutiva através da heterose e sendo um raçador no melhoramento de carcaça, marmoreio de carne, cobertura de gordura, precocidade, assim, agregando um padrão homogêneo na produção”, frisa o criador que vende sua produção anual de carneiros, todos com registro genealógico, para diversos produtores da região Sul.

Animais da Fazenda Campo Novo, de propriedade de Paulo César Lemos – Foto: Divulgação

Ainda de acordo com o titular da Cabanha CPM, o Dorper também tem apresentado bons resultados nos acasalamentos em matrizes SRD. “Ou seja, oriunda de rebanho geral sendo lanado ou não, um dos fatores observado é um padrão de carcaça e a precocidade. Isso não quer dizer que outras raças não tenham esse poder, mas comprovadamente temos cases com bom desempenho e também passa para as fêmeas, diminuindo a sazonalidade”.

Prova do sucesso deste cruzamento, segundo Pedro Rocha, é a satisfação de seus clientes mostrada pela fidelidade e no retorno das aquisições. “Esses mesmos clientes buscam nossos reprodutores e demostram a sua satisfação na produção de seu rebanho. E é através dos diálogos que entendemos a melhoria constante e a consciência de utilizar os reprodutores com registro”, acrescenta.

Animais do Sítio São Benedito, de propriedade de Maurício Vieira Ferreira – Foto: Divulgação

Resultados do cruzamento industrial na prática

Entre os criadores que recorrem aos reprodutores Dorper da Cabanha CPM visando obter esse melhoramento de carcaça está Paulo César Lemos, da Fazenda Campo Novo, situada em Tijucas/SC. Em sua propriedade, Paulo tem trabalhado há muito tempo no cruzamento com ovelhas Santa Inês e, segundo ele, vem obtendo excelentes resultados.

“Na minha opinião, o reprodutor Dorper está para as ovelhas Santa Inês como as raças britânicas bovinas, como, por exemplo, o Angus, está para a vaca Nelore. O que é que faz o carneiro Dorper? Ele melhora muito a carcaça. Sem dúvida, nota 10 na carcaça”, conta o criador de 65 anos que mexe com ovelhas desde muito jovem.

Outro criador que aposta na mistura do carneiro Dorper com Santa Inês é Maurício Vieira Ferreira, do Sítio São Benedito, do município de Lapa/PR. “Faz uns 7 anos que uso Dorper com Santa Inês. O Dorper tem alta fertilidade, cicla o ano todo, dá bastante partos duplos. Todas as cruzas dão bons resultados, não tem uma específica. Dorper deve ser a aposta certa na raça, pois tem um bom valor no mercado e ainda é um animal resistente, rústico”.

Animais da Cabanha do Pezão, de Evanildo Chruscinski – Foto: Divulgação

Evanildo Chruscinski, da Cabanha do Pezão, de Virmond/PR, também faz questão de compartilhar os resultados obtidos com o cruzamento de Dorper e Santa Inês. “Ganho de peso rápido e melhoramento da carcaça, que do Dorper é perfeição. Além disso, como a Santa Inês tem bastante leite, sai uns borregos muito bonitos. Eu tive um reprodutor puro de outra raça de porte grande, mas os cordeiros nasciam muito grandes, tínhamos dificuldade na hora da cria/parto. Mas com o Dorper o cordeiro nasce menor, mas com poucos dias ganha peso rapidamente. Estou abatendo animais desse cruzamento com 4 meses, com média de 20 quilos de carcaça”.

Diferentemente dos demais criadores, o produtor Miguel Erondi Gonçalves, da Cabanha São Francisco, de Quitandinha/PR, aposta no cruzamento industrial com ovelhas Texel. Para ele, trata-se de um dos melhores choques de sangue. “Nascem uns cordeiros pretinhos muito bons de peso. Por isso, sem dúvida, o carneiro Dorper foi a melhor opção que eu já fiz e isso já tem 10 anos. Cheguei a colocar em cima de raças lanadas, como Hampshire, mas com o Texel obtive os melhores resultados”, finaliza.

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Por Natália de Oliveira/Agrovenki
Legenda da foto em destaque: Cordeiros da Cabanha São Francisco, de Miguel Erondi Gonçalves
Crédito da foto em destaque: Divulgação

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