Criação das raças Dorper e White Dorper encerram 2020 com saldo positivo

Produtores avaliam os motivos que levaram para o crescimento do setor, inclusive com a inserção de novos investidores, mesmo em um ano atípico por causa da pandemia

O ano de 2020 foi, sem dúvida, determinante para se avaliar a força das raças Dorper e White Dorper. Afinal, mesmo diante do início de uma pandemia e as incertezas sobre o mercado perante os novos tempos, a criação de ambas raças se manteve aquecida e, inclusive, contando com a inserção de novos criadores.

Um bom exemplo da força do setor foi o primeiro leilão realizado na era pandemia, no mês de abril, da cabanha Kaiowas Dorper, localizada em Itapetininga/SP e de propriedade de Márcio Cordeiro. Mesmo diante de tantas incertezas, o remate obteve sucesso e 100% de liquidez.
Para Márcio, a pandemia contribuiu positivamente no sentido de atrair novos adeptos à ovinocultura. “Enquanto suas empresas tiveram uma pausa na capital, muitos focaram nos investimentos em suas propriedades rurais, e com a ovinocultura em alta, principalmente as raças Dorper e White Dorper, mantendo seu mercado aquecido há anos, essa foi a opção”.

André Assumpção, da AAPA Assessoria, também concorda que o ano de 2020 foi diferenciado positivamente para a ovinocultura nacional. Além do sucesso do leilão da cabanha Kaiowas Dorper, outros diversos remates também obtiveram saldo positivo. “Os leilões obtiveram média na faixa dos R$ 7 a 8 mil. Médias superiores aos do ano passado, quando fizemos de R$ 5 a 6 mil”.

Investimento em genética e queda da importação

Já Luiz Teixeira, da Buriá Dorper, situado em Senhor do Bonfim/BA, avalia que o crescimento do setor também é resultado da maior preocupação dos produtores com a qualidade da carne e, assim, passaram a investir em genética. “A carne de cordeiro quando trabalhada na qualidade de produção de cordeiro precoce, do confinamento, do acabamento de carcaça, dos cortes especiais, leva a um paladar diferenciado e, com isso, mais gente quer consumir”.

E ainda acrescenta exemplificando o aumento da demanda pela carne de cordeiro. “Para ter uma noção, na minha região pagavam em torno de R$ 12 a R$ 14 o quilo de carcaça do cordeiro. Hoje estão pagando R$ 24 o quilo de carcaça. Com isso, compensa o investimento em genética. A procura por genética aumenta, a seleção, ou seja, toda a cadeia produtiva anda”.

Outro ponto citado por Luiz Teixeira que pode ter auxiliado no crescimento da ovinocultura nacional foi a queda na importação devido a mudanças na barreira sanitária entre Brasil e África do Sul. “Isso levou a uma busca de melhores genéticas dentro do mercado interno para o produtor fazer uma diversificação genética do seu rebanho e, consequentemente, obter uma evolução”.

Vendas diretas

Ademais, Márcio Cordeiro cita que os produtores das raças Dorper e White Dorper sentiram falta das exposições, que foram canceladas por causa da pandemia. Haja vista que os eventos são uma vitrine para o criador de elite e um setor importante para a venda de animais.

Mesmo assim, ele acredita que a criação de ambas raças conseguiu manter as vendas diretamente na cabanha, utilizando, sobretudo, como marketing as redes sociais. “As médias expressivas dos leilões, o fortalecimento da raça White Dorper diante da alta procura dos reprodutores pelos criadores de ovinos de corte, marcaram 2020 como um ótimo ano para a ovinocultura”.

Perspectivas para 2021

Diante destes resultados em um ano atípico como 2020, a expectativa agora para o ano que se inicia é muito positiva para todo o setor. “A ovinocultura está em alta há muitos anos, com variação de raça para raça. Porém, Dorper e White Dorper, diante de vários anos vem mantendo suas médias, e sendo hoje a principal raça utilizada como ferramenta no cruzamento industrial. São as raças mais procuradas pelos criadores iniciantes e, para o futuro, a expectativa é melhor ainda”, finaliza Márcio Cordeiro.

Luiz Teixeira também faz a sua análise para o próximo ano. “A perspectiva para 2021 eu acho que vai continuar forte, principalmente no que se refere na busca dos criadores por genéticas melhoradoras de outros criadores, de outros selecionadores, para melhoria do seu rebanho diante da dificuldade de importação da África do Sul. Então, é um momento muito bom, de crescimento econômico apesar da pandemia. A ovinocultura é uma oportunidade de crescermos juntos, boa de negócio e investimento”.

Por fim, André Assumpção acrescenta: “Eu vejo com muito bons olhos, mercado firme, já estou tendo procura de animais de genética, feira comercial, então eu acredito que continue um mercado muito forte em 2021. Que seja igual ou melhor que 2020”, finaliza.

Por Natália de Oliveira/Agrovenki
Crédito da foto em destaque: Divulgação

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