Conheça os trabalhos realizados pelo Instituto de Zootecnia com as raças Dorper e White Dorper

Neste artigo, o Pesquisador Científico da Instituto de Zootecnia, Dr. Ricardo Lopes Dias Costa, fala sobre os trabalhos desenvolvidos pela entidade ao longo dos últimos 20 anos, bem como dá a sua avaliação sobre o qe difere ambas raças dentro da ovinocultura nacional

O Instituto de Zootecnia iniciou seus trabalhos com a raça Dorper, na década de 2000, com a importação de embriões, com o objetivo de conhecer e validar os resultados de desempenho da raça Dorper, nas condições de criação do Estado de São Paulo. Dessa forma, alguns trabalhos foram realizados com o intuito de se verificar o desempenho dos cordeiros puros e cruzados, utilizando as raças Santa Inês e Morada Nova como matrizes, bem como a avaliação de carcaça desses cruzamentos1. Em outros trabalhos, foram avaliados os mestiços Dorper (matriz Santa Inês x Dorper) quanto ao desempenho, medidas morfométricas e avaliação de carcaça quanto à eficiência alimentar (CAR)2.

Atualmente, estamos com o projeto intitulado “Avaliações fenotípicas de desempenho, medidas morfométricas e características ultrassonográficas de carcaça de cordeiros das raças Dorper e White Dorper” em andamento, sendo desenvolvido na Fazenda Cardinal – Grupo VPJ. No Brasil todas as raças de ovinos são avaliadas apenas por critérios subjetivos de caracterização racial e/ou poucos critérios como pesos, sem, no entanto, passar por uma avaliação genética em um programa de melhoramento genético, com características de importância econômica e avaliados criteriosamente com protocolos descritos para serem executados, por todos os produtores pertencentes ao programa.

Dessa forma, pela avaliação fenotípica dos cordeiros, por critérios de seleção de valor econômico e de interesse dos produtores, será possível formar um banco de dados para avaliação fenotípica e classificação dos animais, possibilitando a seleção baseada em dados, o que providenciará a possibilidade de promover o melhoramento genético da raça a partir de classificação dos cordeiros por avaliação de medidas de desempenho, medidas morfométricas e medidas ultrassonográficas de área de olho de lombo e espessura de gordura.

Já em negociação com a ABCDorper, pretende-se também iniciar os Testes de Eficiência Alimentar das Raças Dorper e White Dorper, além de avaliar as medidas morfométricas e estabelecer os índices morfométricos dos animais. Sabe-se que a alimentação é o custo mais alto de um sistema de produção animal, principalmente quando falamos em confinamento, podendo ser responsável por até 70% dos custos.

Com o Teste de Eficiência Alimentar (CAR) é possível identificar animais mais eficientes, ou seja, animais que consomem menos alimento, porém com o mesmo ganho de peso de outros, ou ainda, que consomem a média dos outros animais, porém com um ganho maior. Trabalhos de nossa equipe, com outras raças ou mesmo com os mestiços Dorper, identificaram animais que consumiram 30% a menos de alimento para o mesmo ganho de peso.

Sendo assim, é possível fazer a seleção de matrizes e reprodutores por essa característica (CAR) uma vez que possui uma herdabilidade média, sendo possível então transmitir essa característica para seus descendentes, sem muita dificuldade. A raça Dorper e White Dorper seriam as primeiras no Brasil a buscar essa característica como critério de seleção, principalmente partindo de uma Associação e não somente por um ou outro produtor individualmente.

Instituto de Zootecnia iniciou seus trabalhos com a raça Dorper, na década de 2000

Grande potencial para produção de carne

As raças Dorper e White Dorper, relativamente em pouco tempo, ganharam muito espaço na ovinocultura nacional. Essas raças tem um grande potencial para a produção de carne ovina, com muitos trabalhos evidenciando o alto desempenho dos animais e a ótima qualidade de carcaça, principalmente quando falamos em cortes nobres.

Outro ponto de destaque das raças foi a aceitação, pelos produtores e pelo mercado, dos cruzamentos de outras raças maternas com as raças Dorper e/ou White Dorper. Nesse ponto, destaca-se os cruzamentos de fêmeas Santa Inês com machos Dorper ou White Dorper.

Na parte reprodutiva essas raças também ganham destaque por não apresentarem estacionalidade (ou apresentarem baixa estacionalidade) o que as diferencia de algumas outras raças específicas para corte. Característica interessante também de destaque, já conhecida e verificada também na nossa rotina e nos nossos trabalhos, é o fato do peso de nascimento – apesar do cordeiro apresentar um bom desempenho com um rápido desenvolvimento, seu peso de nascimento não é alto, o que diminui bastante os problemas de parto (distocias).

Porém, muitos resultados científicos ainda são necessários para as raças Dorper e White Dorper, visto a quantidade e diferenciais de sistemas de produção existentes por todo país. Dessa forma, muitos trabalhos ainda são precisos para se testar as raças em diferentes desafios, para se conhecer concretamente (cientificamente) o potencial das raças Dorper e White Dorper nos mais variados sistemas.

Outro ponto importante a se destacar é a necessidade de Programas de Seleção visando características de interesse econômico. É fato e importante a avaliação do padrão racial dos animais; entretanto apenas isso não basta para o avanço da ovinocultura. Sendo uma das raças mais jovens introduzidas no Brasil, é prioridade pensar em trabalhos sérios de seleção, balizados por Instituições de Pesquisa/Ensino, que possam avaliar os animais por características de produção – sejam de desempenho, de resistência à patologias (como as parasitoses gastrintestinais, por exemplo) ou qualquer outra que comprove a superioridade dos reprodutores e matrizes utilizadas nos rebanhos.

Sem dúvidas, as raças Dorper e White Dorper tem muito a crescer e contribuir com o desenvolvimento da ovinocultura no Brasil e no mundo. Os resultados apresentados até o momento já demonstram um potencial de uso, acima da média nacional, quando se trata de desempenho. Esse fato, aliado ao interesse de produtores (e Associação) comprometidos com o desenvolvimento do agronegócio ovinocultura, buscando de fato, resultados concretos de características produtivas de interesse econômico, através de Teste de Desempenho ou de Eficiência Alimentar (entre outros), ou seja, seleção das matrizes e reprodutores por características produtivas e não mais apenas por padrão racial e, em um futuro próximo, a determinação de DEP´s a partir dessas características, pode ser um diferencial dessas raças.

Entretanto, as parcerias com Instituições de Pesquisa/Ensino e a realização dos Testes não devem ficar apenas no papel – devem ser concretizados para que sirvam de modelo também para outras raças e, que de fato resultem em desenvolvimento da ovinocultura brasileira.

Referências

1ISSAKOWICZ, JULIANO ; ISSAKOWICZ, ANA CLAUDIA KOKI SAMPAIO ; Bueno, Mauro Sartori ; Costa, Ricardo Lopes Dias da ; GERALDO, ANDRE TORRES ; ABDALLA, ADIBE LUIZ ; MCMANUS, CONCEPTA ; LOUVANDINI, HELDER . Crossbreeding locally adapted hair sheep to improve productivity and meat quality. SCIENTIA AGRICOLA, v. 75, p. 288-295, 2018.
2FREITAS, A. C. B. ; COSTA, R.L.D. ; QUIRINO, C. R. ; Bartholazzi Junior, A. ; BELTRAME, R.T ; Campos, F.P. . The effects of genetic group and sex on residual feed intake, performance, morphometric, testicular, and carcass traits in lambs. ANAIS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIENCIAS, v. 91, p. 1-11, 2020.

Crédito das fotos em destaque: Divulgação/IZ

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