“O Dorper no Brasil”: como é a criação no Centro-Oeste?

Clima propício para o planejamento nutricional e reprodutivo dos rebanhos, extensão de terras agricultáveis e recursos hídricos são algumas das características típicas desta região do país

A equipe de comunicação da ABCDorper – Associação Brasileira dos Criadores de Dorper e White Dorper retoma com a série de reportagens “O Dorper no Brasil”, a fim de abordar as diferenças nas criações em quatro regiões do país. Anteriormente, já foi abordado as regiões Sul e Nordeste. Portanto, desta vez, iremos tratar sobre como é a criação no Centro-Oeste do país.

Sendo assim, para essa reportagem conversamos com criadores desta região que é caracterizada pela predominância do clima tipo tropical semiúmido, com duas estações bem definidas ao longo do ano. Ou seja, um inverno seco, que vai de meados de maio a outubro, e um verão quente e chuvoso, que tem início em novembro e últimas chuvas caindo em abril.

Tal clima da região tende a facilitar o manejo dos rebanhos, de acordo com o criador Guilherme Tapajós Távora, da Dorper Novo Prado, situada na Ocidental/GO, a apenas 50 km da região central de Brasília/DF. Afinal, segundo ele, assim é possível fazer um planejamento nutricional e reprodutivo nas propriedades.

É uma região produtora de grãos, com facilidade na parte nutricional. Como os campos são extensos, dá para trabalhar bem o rebanho a campo, com pouca variação de clima, o que proporciona a facilidade de se fixar projetos de grandes dimensões. Na Novo Prado, por exemplo, estamos trabalhando para deixar de fazer cruzamentos em datas aleatórias e tentando implementar uma estação de monta com início no verão (outubro/novembro), de forma que os nascimentos ocorram no começo do inverno (abril/maio)”.

Dessa forma, concentrando a maioria dos nascimentos em uma única época do ano, Guilherme cita que consegue liberar a mão-de-obra para o plantio e colheita da lavoura, que ocorre no verão. Depois, no inverno é possível dar a devida atenção ao nascimento e desenvolvimento dos produtos. “Com isto, tentamos racionalizar o processo produtivo da propriedade, muito importante no atual momento que vivemos”, explica.

Diante de tais características da região, bem como pelos recursos hídricos – haja vista que a região é banhada por vários rios que fazem parte da Bacia Amazônica, da Bacia do Paraná e da Bacia do Rio Paraguai – Guilherme Tapajós acredita que o Centro-Oeste se apresenta como uma área bastante propícia para a expansão do rebanho ovino nacional. “Tem como pilares os setores de pecuária e agricultura, sendo reconhecida como um grande celeiro de grãos do País, o que impacta diretamente na logística e no preço praticado no mercado.”

Guilherme Tapajós, do Dorper Novo Prado – Foto: Divulgação

Desafios da criação no Centro-Oeste

Nivaldo Ribeiro da Silva, do Rancho Moriá, de Brasilândia, Brasília/DF, cita que o período de estiagem e a falta de um subproduto para complementar a alimentação dos animais podem ser apontados como alguns dos desafios enfrentados pelos criadores da raça Dorper e White Dorper no Centro-Oeste. “Devido a pouca oferta o preço acaba ficando muito alto em relação a outras regiões. Mas, ao mesmo tempo, estamos em uma região estratégica com facilidade de escoarmos nossos produtos para todo país”.

Um ponto em comum citado por ambos criadores sobre os desafios da região é que, diante da extensão territorial, existe uma dificuldade de troca genética entre os rebanhos. Diferentemente do que ocorre em outras regiões do país, onde os criadores estão concentrados em nichos que facilitam essa troca. “Precisamos de uma quantidade maior de criadores para aumentar a quantidade do nosso rebanho de forma que possa viabilizar, ainda, a criação de um frigorífico na região podendo assim suprir a demanda de abates”, cita Nivaldo.

Além disso, Guilherme Tapajós cita como um dos desafios da criação no Centro-Oeste a falta de esclarecimento acerca da importância e da necessidade de se utilizar um reprodutor puro de origem, registrado. “Aliado a isto, na nossa região existem pouquíssimos técnicos do Dorper e do White Dorper, que são os grandes disseminadores da importância de se fazer uma seleção criteriosa dos animais e de manter o registro genealógico da propriedade ativo e atualizado”.

Rancho Moriá, de Brasilândia, Brasília/DF – Foto: Divulgação

O que sentem mais falta?

Em tempos de pandemia, a falta de eventos é algo que, certamente, tem feito falta para os criadores de todas as regiões do país, não só na criação no Centro-Oeste. “Além de ser uma ocasião de comemoração e encontro com amigos queridos, as exposições geram visibilidade para as nossas raças e, consequentemente, mais negócios”, afirma Guilherme.

Mas, saindo do âmbito da pandemia, Nivaldo nomeia quais são as maiores necessidades para os criadores da região Centro-Oeste: “Sentimos falta de mais apoio por parte dos órgãos do governo e de outros setores no tocante ao pequeno criador e na divulgação geral da ovinocultura no Centro-Oeste. Vejo que as exposições seriam uma forma de divulgar a ovinocultura. Além disso, hoje não temos mão de obra nem desqualificada e muito menos qualificada para nossa atividade”.

Como solução de tais desafios, não só na criação no Centro-Oeste, mas como para a ovinocultura nacional, Guilherme aposta na organização e estruturação do setor. “Hoje é necessário que pensemos a ovinocultura como um todo. Este tem sido o meu trabalho e do Tiago Lot, enquanto representantes da ABCDorper junto à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos do Ministério da Agricultura. Atualmente, trabalhamos um assunto de extrema importância para a cadeia, que é a exportação de material genético – produto muito demandado por países da América Latina, principalmente. Paralelamente, em apoio à ARCO, realizamos gestões na Câmara Setorial no sentido de solucionar a morosidade para a realização de testes de tipificação genética, com tratativas para a ampliação da rede de laboratórios credenciados pelo Ministério”.

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Por Natália de Oliveira/Agrovenki
Crédito da foto em destaque: Divulgação/Rancho Moriá

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